|
Castelo de Ouguela
|

Pormenor da Muralha
|

Vista Exterior da Muralha
|

Ponte de Acesso à Entrada do
Castelo
|
Localização:
|
Distrito:
Portalegre
Concelho:
Campo Maior
Freguesia:
S. João Baptista
Lugar:
Ouguela
Região:
Alto Alentejo
Área
Turístico-Promocional: Planícies
Património
Classificado:
Imóvel
de Interesse Público
IPA:
Conjunto
Nº
IPA: 1204030004
Protecção:
IIP, Dec. nº 32 973, DG 175 de 18 Agosto 1943
Afectação:
Junta de Freguesia
|

Entrada do Castelo para a Aldeia
|
Órgão:
Região de Turismo de São Mamede.
Caracterização:
·
Área:
O
concelho tem aproximadamente de 247 Km2.
Ouguela
é uma das freguesias do concelho de Campo Maior, anexada à freguesia
de S. João Baptista.
|
População
(habitantes): 8535.
Densidade
Populacional: 34 Habitantes/ Km2
Utilização
Inicial: Militar / residencial / cultual
Utilização
Actual:Residencial / funerária / cultual
Pública:
estatal
Entidade
Responsável: Direcção-Geral do Património do Estado
(Rua
Passos Manuel, nº40
1100
LISBOA
|

Brasão
|
|
·
Distância face a outros aglomerados urbanos:
8
Km de Campo Maior
Dias
de visita:
Todos
os dias pois está sempre aberto.
Horário:
Pode
ser visitado a qualquer hora e a qualquer dia da semana.
|

Entrada do Castelo para a Aldeia,
Vista por Dentro
|
Preço:
A entrada é
gratuita
N.º de
visitantes ano:
Não estão contabilizados pois não há um controle do número
de visitas, não há venda de bilhetes. É uma zona residencial.

Vista Panorâmica
|

Planta do castelo
|
Elementos
Históricos:
É povoação
muito antiga, que veio à coroa de Portugal no reinado de D. Dinis,
em 1297 (tratado de Alcanizes). D. Dinis deu-lhe foral, com muitos
privilégios, por carta de Lisboa, de 5-1-1298.
D. Manuel concedeu-lhe foral novo, também em
Lisboa. a 01-06-15l2. Eram seus donatários os Cunhas, senhores de Tábua.
e a freguesia tinha o título de priorado. da apresentação
alternada da Santa Sé e do bispo de Elvas.
A vila está situada no alto de um monte
muito escarpado, na margem esquerda da ribeira de Abrilongo, e perto
da confluência desta ribeira com o Távora, nas proximidades da
raia.
A sua situação anda glosada numa quadra
popular regional, onde te lhe chama cidade: «Bela cidade de
Ouguela / Dá vistas à Lafargueira; / Mal empregada
cidade / Estar em tão alta ladeira».
Teve Ouguela um importante castelo. de
que restam apenas alguns panos de muralhas e torreões.
(modernamente reconstruídos), que se deve a D. Dinis. Data de 1300.
Junto à igreja matriz brota uma fonte de águas
minerais, frias, gasosas, de composição mal determinada, mas
aplicadas nas doenças do estômago, hidropisias, ténia., etc. A
esta fonte se refere o Aquilégio Medicinal, de Fonseca Henriques: «Na
villa de Ouguella (...) ha huma fonte de que bebe a mayor parte dos
moradores, a que chamão Fonte Velha, da qual te diz, que não cria
cousa viva, e que mata todo o bicho vivo, que nella se lança. Usão
desta agora para matar as sanguexugas que entrão no corpo, e para
as lombrigas...».
Em 1475. por ocasião da batalha de Toro,
encontraram-se perto desta vila João da Silva,
alcaide-mor, e João Fernandes
Galindo,
alcaide-mor de Albuquerque, em Espanha.
Ambos morreram dos ferimentos recebidos no
recontro, o segundo no próprio local, e João da Silva 28 dias
depois. Em 1551 Diogo da Silva, neto do alcaide-mor de Ouguela,
mandou colocar uma cruz no local do combate. Encontra-se hoje no
museu de Elvas.
Aquando das guerras da Restauração, o exército
espanhol, comandado pelo marquês de Torrecluso, invadiu Portugal
pelo Alentejo. Para o coadjuvar na empresa de tomar Ouguela,
ofereceu-se. ao espanhol, João Rodrigues de Oliveira, governador de
Vilar de Rei e que no Brasil deu mostras de grande valor como
soldado, atingindo o posto de sargento-mor. Regressado a Portugal,
após a aclamação de D. João IV, passou ao Alentejo, de onde
fugiu para os espanhóis, recebendo, em recompensa, o posto de
mestre de campo e o cargo de governador de Vilar de Rei. Pensando em
conquistar Ouguela para o partido onde se tinha filiado, após as
mercês recebidas do rei de Portugal, marchou em direcção à praça
portuguesa, acompanhado de seiscentos cavalos e outros tantos
infantes escolhidos na noite de Sábado, que se contaram nove do
presente mês (Abril de 1644) e para este efeito partiu com eles de
Vilar de Rei na calada da noite propicia a seu deslgnio».
Por Castela andavam os Portugueses pilhando o
gado para alimento das tropas defensoras da independência. Quatro
de Campo Maior, vendo as tropas inimigas em marcha, esconderam-se e,
quando a retaguarda passava junto deles, misturaram-se-lhe, ouvindo
da boca dos invasores os seus planos. Tomando por veredas, chegaram
a Ouguela duas horas mais cedo do que o inimigo e, avisando o
governador, Pascoal da Costa, este organizou a defesa da praça e
com tal denodo se houve que não valeram os petardos que os Espanhóis
fizeram rebentar junto das portas do castelo, nem as promessas que
João Rodrigues de Oliveira fizera ao sitiado, que tinha sido cabo
de esquadra e servido sob as suas ordens no Brasil. Na defesa de
Ouguela portaram-se com valentia, não só o minguado número de
soldados da guarnição, como os habitantes da vila e entre eles uma
mulher, de nome Isabel Pereira, que obrou prodígios, «quer
pelejando nas trincheiras, como repartindo pólvora e balas aos
soldados; e retirada ao castelo ficou desacordada por algum espaço
com a ferida que lhe deram, até que tornando em si, e vendo que não
era perigosa, prosseguiu a pelejar com maiores brios até o fim».
Em 1762 o capitão de cavalaria Brás de
Carvalho, defendeu-se heroicamente em Ouguela de um ataque dos
Espanhóis.
Cronologia:
Período romano -
terá sido romanizada com a designação de Budua;
período visigótico
- terá tido a designação de Niguela;
1230, após -
conquista definitiva aos mouros, provavelmente por tropas
castelhanas e leonesas;
1255, 28 de Maio -
os homens-bons do concelho de Badajoz doam Ouguela e outras
localidades ao Cabido e ao Bispo de Badajoz;
1270, 25 de Junho -
a justiça em Campo Maior e Ouguela passa a ser exercida por juizes
régios e não pelo bispado de Badajoz;
1297, 12 de Setembro
- passa a integrar o domínio português pelo Tratado de Alcanizes;
1298 - foral de D.
Dinis;
reinado de Dinis -
reedificação; Guerra da Independência - toma partido por Castela;
1392 - cortam-se os
laços de dependência eclesiástica relativamente ao Bispado de
Badajoz;
1420, 7 de Dezembro
- D. João I transforma a vila em couto de homiziados;
reinados de D.
Fernando a D. João I - reedificada e ampliada a cerca de muralhas;
edificação da
primitiva igreja, orientada, situada sensivelmente no centro da praça;
1509 - 1515 -
desenhada por Duarte d'Armas;
1512 - foral de D.
Manuel I;
Séc. XVII - início
da construção da fortaleza abaluartada com a participação de
Nicolau de Langres;
já construídas no
interior da Praça as casas dos oficiais e famílias dos militares e
a Casa da Câmara;
1644 - o Marquês de
Torrecusa tenta conquistar o castelo que resiste heroicamente sob o
comando do Capitão Pascoal da Costa (proporção de 45 soldados
para 1500 cavaleiros e 1000 infantes pela parte espanhola);
Séc. XVIII -
construção da Igreja de Nossa Senhora da Graça e das casas da
governação da Praça;
1755 - já
edificados o baluarte, o meio baluarte e o revelim;
1762 - resiste aos
invasores espanhóis sob o comando do Cavaleiro Brás de Carvalho;
1799 - Casa do Governador;
1755 / 1803 - planta
e perfil de Ouguela mostrando a atalaia e a existência de fosso e
estacaria;
Séc. XIX - a área
a Oeste, definida pelas construções abaluartadas, passa a
funcionar como cemitério da povoação; nos inícios do século
existiam ainda as guaritas nos ângulos da 2ª linha defensiva;
1803 - sob o comando
do Marquês de la Reine, construção, pelo Sargento-Mor de
engenharia Maximiano José da Serra, das lunetas do Cabeço da Forca
e No Mártir;
1828 - projecta-se
recuperar uma das torres a S. do castelo;
1829 - projecta-se a
construção de uma meia lua para protecção da entrada a Este;
1840 - desmilitarização
da Praça.
Tipo de
Arquitectura:.
O castelo foi
edificado nos séculos XIII / XVIII, à base de granito, xisto,
argamassa de cal, pedra miúda e argila. É detentor de uma
arquitectura militar medieval e moderna. Castelo estratégico de
detenção, em relevo, orientado, com cubelo de secção
ultrasemicircular e sobreposição de fortaleza abaluartada, rasante.
Exemplo característico das praças fortes fronteiriças das regiões
de planície, com sistema abaluartado determinado pela artilharia
pirobalística. O grosso das muralhas medievais foi muito
transformado pelas obras setecentistas que lhe conferiram o perfil
actual. Núcleo habitacional setecentista.
Foi construído no
cimo dum outeiro (cota de 259 m), a cerca de 1 km da junção da
Ribeira de Abrilongo ao Rio Xévora e a 3 km da fronteira, com o
castelo de Albuquerque à vista. As muralhas delimitam mas não contêm
a povoação medieval que extravasa pelas encostas Norte e Noroeste.
Apenas subsistem alguns panos de muralha e
torreões, além das fortificações seicentistas com escarpas,
parapeitos e revelins.
O castelo é de
planta hexagonal irregular, próxima duma meia elipse com o extremo
apontado a Este; muralhas e torreões rebocados com embasamento (ou
com as sapatas das construções fundacionais); entrada por
torre-porta, a Norte, constituída por duas torres emparelhadas com
arco de volta perfeita, porta de arco quebrado, bueira e sistema
para grade; a partir desta entrada e no sentido dos ponteiros do relógio,
temos: muralha, torreão rectangular, muralha, torreão rectangular
de ângulo, muralha, cubelo de ângulo, muralha, torreão
rectangular, muralha, torreão rectangular, muralha, torreão
rectangular de ângulo, muralha, torre de menagem, muralha, restos
de torreão rectangular de ângulo a servir de torre sineira. O
adarve, com muretes de protecção de ambos os lados, está
completo. As ameias das torres e muralhas foram substituídas por
barbetas e por canhoeiras (torre de menagem).
A Fortificação
Abaluartada, frente à torre-porta, possui um meio baluarte com 4
canhoeiras e uma barbeta, apresentando orelhão direito para protecção
da porta da fortaleza. Esta, armoriada, defendida por casamata com
sete frestas.
No sector Oeste,
obra corna de braços compridos com dois meios baluartes.
A Sul da antiga
torre de menagem, um muro com 7 seteiras; no sector Noroeste, a
Igreja de Nossa Senhora da Graça, de fachada em empena, portal de
verga recta moldurada e óculo, evidenciando técnica construtiva
militar, com cobertura munida de seteiras; uma das torres da cerca
foi aproveitada para torre sineira.
A toda a volta,
fosso com reparo de traçado tenalhado e caminho de ronda.
No
interior do castelo, logo à entrada, três casas com paramentos,
molduras e decoração em trabalhos de massa que alojariam a governação
da Praça; adossadas ou não às muralhas, outras construções; o
casario compreende os antigos quartéis (a Este junto ao torreão),
e as habitações dos familiares dos militares; algumas destas
construções apresentam os muros de alvenaria esgrafitados imitando
aparelho de cantaria e vãos de portas e janelas (existem vestígios
da Casa da Câmara que possibilitam a sua localização, encostada
ao interior da muralha a Oeste, junto à Torre de Menagem e voltada
para o largo, e constatar que teria dois pisos como a Casa do
Governador; as antigas guaritas, hoje desaparecidas, eram construídas
de alvenaria e tijolo maciço e tinham planimetria circular (diâmetro
inferior a 0,75 m), a torre que protege a porta do castelo tem vista
sobre a fronteira fortificação de Albuquerque em território
espanhol).
Arquitecto
/ Contrutor / Autor:
Nicolau
de Langres (direcção da construção, Séc. 17)
Existe
projecto de salvaguarda e valorização do castelo e fortificações
de Ouguela (inserido no Projecto PAX no âmbito do Programa INTERREG),
da autoria dos Arquitectos Miguel Pedroso de Lima e José Filipe
Cardoso, que integra igualmente a recuperação, revitalização e
valorização dos núcleos urbanos de Ouguela e de Albuquerque e
respectivas fortificações; prevê-se a criação de área
museológica,
núcleo de investigação e documentação e a implementação de
circuitos equestres e pedonais com ligação cénica à fortaleza
espanhola de Albuquerque.
Actualmente quase abandonado grita por
restauro este lindo castelo que merece um melhor futuro que seja
digno dos seus heróicos actos.
IntervençãoRealizada:
DGEMN:
1953 -
Igreja paroquial de Ouguela, obras de conservação e de reparação:
coberturas, pavimentos, portas e caixilhos, vitrais, cabeçotes de
sinos;
1976 -
Castelo de Ouguela, consolidação de muralhas: reparação e
consolidação estrutural de panos de muralha no castelo;
1987 -
Castelo de Ouguela, obras de conservação: continuação das obras
anteriores no castelo e na zona abaluartada e reparação de escadas
de acesso à muralha;
1991 -
Castelo de Ouguela, obras de recuperação do adarve no castelo;
1994 -
obras de recuperação
Relação histórica
e cultural com castelos vizinhos:
Situado perto da
fronteira com Espanha este castelo foi importante na defesa da terra
pátria, entrou em guerras, foi sitiado e saiu vitorioso.
Assenta numa colina e foi recuperado pelo rei
D. Dinis, o grande obreiro das construção de vilas e castelos em
Portugal. Tem uma robusta muralha, vários torreões distribuídos
pelo seu perímetro que reforçam as muralhas. É um exemplo
característico das praças fortes fronteiriças das regiões de
planície, com sistema abaluartado determinado pela artilharia
pirobalística.
Este castelo ficou
famoso por vários episódios da sua história e em particular em
uma ocorrida em 1644, quando o marquês de Torrecusa, com 1500
cavaleiros e 1000 soldados tentou conquistar Ouguela e a defesa do
capitão Portugueses, Pascual da Costa apenas com 45 soldados seria
tão heróica que levou o inimigo a debandada vencido e vexado.
Faziam
parte integrante da fortaleza, várias fortificações avançadas,
nomeadamente as lunetas do Cabeço da Forca, a Sudeste, e No Mártir,
a Noroeste.
Outras
Informações:
Contactos:
v
Região de Turismo de São
Mamede
Estrada
de Santana, 25
7300
– 901 Portalegre
Tel.:
245 300 770 Fax.:
245 204 053
E-mail :
rt.s.mamede@mail.telepac.pt
v
Câmara Municipal de Campo
Maior
Praça
da República
Telef.
268-688300
Fax
- 268-688937
E-mail :
cm-CampoMaior@mail.telepac.pt
v
Posto de Turismo de Campo
Maior
Bibliografia:
ALMEIDA, João de, Livro das Fortalezas de
Duarte Damas, Editorial Império, Lda., Lisboa, 1943.
GRANDE Enciclopédia Portuguesa e Brasileira,
Volume 19, Editorial Enciclopédia, Lda, Lisboa / Rio de Janeiro.
Sites da Internet:
Direcção Geral dos Monumentos Nacionais (www.monumentos.pt)
Desdobráveis de promoção turística
|